Número de faltas prejudica atendimento na saúde
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, dos procedimentos agendados junto ao Estado, em média 35% dos pacientes faltam e não avisam antecipadamente
A busca por aproximar e qualificar o atendimento da saúde pública tem sido uma das principais bandeiras da prefeitura de Piên. Em meio a tantos desafios para atender toda a demanda, inflacionados ainda mais pela pandemia, um dos graves problemas está na falta dos pacientes em procedimentos de média e alta complexidade agendados, seja no próprio município ou em cidades vizinhas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, dos procedimentos agendados junto ao Estado, em média 35% dos pacientes faltam e não avisam antecipadamente. “Em alguns casos, conseguimos uma consulta especializada em meses, priorizando o atendimento ao paciente mais grave, no entanto, frequentemente temos falta sem aviso ou com justificativa plausível”, relata a coordenadora do setor de agendamento, Caroline Massaneiro. Com isso, o paciente volta para a atenção básica para que haja um novo encaminhamento. “As unidades assim ficam mais pressionadas e a demanda ainda mais reprimida. Além deste fator, os veículos de transporte ficam vazios e poderiam atender outras pessoas com mais comodidade que assim não conseguimos encaixar de última hora”, lamenta.
A falta não é apenas em procedimentos agendados fora da cidade, quando a prefeitura investe recursos e traz mutirões de exames na cidade a abstenção também é alta. Um dos exemplos é o mutirão de oftalmologista, que teve a primeira parte realizada em um sábado na unidade central, onde dos 150 pacientes agendados, 63 não vieram e não apresentaram justificativa. Em outra frente, em parceria com a Cooperativa Cooperante, foram disponibilizadas gratuitamente 74 mamografias, onde 27 mulheres não se fizeram presentes. “São pacientes que estão na fila de espera, que esperam pelo diagnóstico em uma doença que o tempo para descoberta é precioso. Todos foram contatados e confirmaram presença, no entanto, não apareceram e não justificam, mas pouco tempo depois voltam ao agendamento solicitando novamente o exame”, conta Caroline.
O hospital Santa Casa de Misericórdia Nossa Senhora das Graças também sofre com o não comparecimento dos pacientes em procedimentos agendados. A unidade ofereceu neste ano, gratuitamente, consultas especializadas de ortopedista, pediatra, vascular e cardiologia, onde dos 298 agendamentos em 64 deles os pacientes não compareceram. “São casos que são encaminhados pela atenção básica e agendados no hospital do município, com dia e hora marcada. Em virtude das faltas, os médicos especialistas não querem mais abrir agenda na cidade, haja visto que o ganho deles é por consulta. Isso faz com que outras frentes não sejam abertas com este histórico”, conta Caroline.
Ainda, na tentativa de reduzir as filas de espera das consultas especializadas, o município deu início ao projeto de atendimentos através da telemedicina. Nesta modalidade foram ofertadas consultas das mais diversas especialidades, dentre elas neurologia, psiquiatria, endocrinologia e pneumologia que são consideradas algumas das áreas mais concorridas devido a escassez de profissionais médicos especializados no mercado. No entanto, o índice de absenteísmo também foi bastante significativo nesse caso, motivo esse, que contribuiu para a interrupção momentânea do projeto da telemedicina no município.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Mayara Grosskopf, o poder público vem atuando em várias frentes para zerar a fila de espera em vários procedimentos. “Vemos pacientes que tem que esperar semanas para uma consulta particular, que com muito esforço conseguimos gratuitamente para o cidadão, seja pelo Sistema Único de Saúde ou pago pelo município junto aos consórcios de saúde. Sabemos que em alguns casos, imprevistos podem acontecer, no entanto, esta falta de compromisso de muitos tem dificultado todo o andamento dos trabalhos e impedido de avançar em alguns aspectos”, destaca Mayara, pedindo a conscientização da população. “Diariamente atendemos centenas de pessoas em todo município, desde casos leves a graves. Queremos cuidar de todos, com qualidade e dignidade, mas todos tem que fazer a sua parte e ajudar nessa busca constante por uma saúde pública de qualidade”, finaliza.